Dunga: exemplo de insegurança ou de hombridade?

Até pouco antes do final da carnificina que se tornou o jogo entre Brasil e Costa do Marfim eu achava que a atitude do treinador Dunga ante os jornalistas e suas perguntas (principalmente os jornalistas brasileiros) fosse manifestação de medo e insegurança. A maneira agressiva, as palavras ríspidas, davam a entender que havia algum sentimento oculto, quase impublicável, que eu tolamente pensava que fosse o medo da crítica.

No jogo em que os atletas marfinenses quase trucidaram os jogadores brasileiros, principalmente o valoroso Elano que saiu arrastado de campo, e ainda assim foram derrotados pelo bonito toque de bola canarinho, imaginei que seria o momento de redenção do treinador, em que ele poderia finalmente ter certeza de estar no caminho certo com seus atletas e que conquistaria o reconhecimento irrestrito da imprensa.

Bem, se fosse o caso de Dunga estar mesmo “com medo” de alguma coisa, essa minha lógica faria sentido mesmo. Só que Dunga continuou sendo agressivo na coletiva, e a Globo sentou o sarrafo como já fizera antes, só que de maneira ainda mais cruel que os adversários sanguinolentos em campo.
Duas páginas na Internet, contudo, me fizeram mudar de ideia, e reafirmar meu apoio moral irrestrito, quase ufanista ao Dunga e à Seleção Brasileira. De uma não posso atestar veracidade (Dunga, mesmo se vencer de goleada, já é um vencedor), embora seja possível que seja verdade, mas da outra (Ponto para o Dunga), por se tratar de uma reflexão de um jornalista, cristalina como água, não há do que duvidar.

Resumindo os dois textos: Dunga não aceita os privilégios que a Rede Globo de televisão costuma ter na cobertura dos eventos esportivos de maior importância, e teria “batido a porta na cara” da Fátima Bernardes, chegando ao ponto de usá-la como garota de recados para dizer ao Sr. Ricardo Teixeira que se fosse para dobrar-se à vontade da vênus platinada seu cargo estaria disponível.

Se for verdade isso mesmo, fica mais do que evidente a origem da raiva já nem tão contida — que não tem nada a ver com medo ou insegurança; fica claro por que ele interrompeu uma resposta que estava dando a uma pergunta para perguntar ao repórter da Globo se havia algum problema, e ante a resposta negativa ele respondeu com sarcasmo: “ah, tá, pensei que tivesse”.
Ufanismo à parte, pelo simples fato de Dunga ter coragem de pôr os seus próprios valores à frente do poderio econômico da televisão ele já é meu novo ídolo. E mesmo que tudo isso seja mentira, lenda urbana ou conto de fadas, vale a oportunidade de refletir sobre o que é realmente a opinião e a vontade íntima de cada um e o que é um mero “implante” via meios de comunicação de massa.

(Este é um guest post de Janio)

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